O Socioculturalista #11

30Ago07

Editorial

Realização vs. ostentação
Existe uma tradição no micronacionalismo da ostentação. Por si só, isto não é grande problema – a despeito dos confrontos de egos que pode ter início com o choque de ostentações.  Não obstante, em geral a ostentação não vem acompanhada da realização que traria a sustentação factual para que se pudesse ter orgulho de seus atos. O comum é ver que a ostentação vem dos cargos já ocupados, independentemente do que foi feito de fato para a micronação.

Esta postura ajuda à manutenção do status quo atual, contribuindo para o conservadorismo que vem nos levando à falência. Em um momento de crise aguda, precisamos também reverter o princípio de valorização aos indivíduos. Ao invés de valorizarmos a ostentação, deveríamos rumar à valorização do mérito, beneficiando àqueles que têm desejo de realização e que entendem que cargos servem para que se cumpra determinado papel, ao contrário de simples status.

A meritocracia só traria benefícios em um ambiente onde se parte do princípio em que a competição e a livre iniciativa individual possa trazer diversos benefícios à coletividade. Isso não significa que não se possa utilizar cargos como “estimulante”, como é tão caro à Reunião. Mas, em verdade, àqueles devem ser mais premiados do que estes, pois, caso contrário, haverá estagnação similar a que qualquer igualitarismo planificado pode levar.

 

Pensamento socioculturalista

O porquê da revolução tecnológica – Filipe Sales
As Escolas mais modernas de micropatriologia defendem a urgência de uma revolução tecnológica em todo o micronacionalismo lusófono. As Escolas mais antigas contra-atacam, afirmando que as considerações destes “modernos” acabariam com a prática como a conhecemos hoje – quando não os acusam de golpistas mascarados de revolucionários.

A questão é: por que se defende tanto uma revolução tecnológica, e por que uma camada antiga é tão reticente a essas mudanças?

A resposta – penso – está mais voltada a análise do procedimento de desenvolvimento de sociedades. Ao final de tudo, micronações são sociedades de pessoas que, reunidas sem objetivos mercantis, trabalham em conjunto para manter uma estrutura que tem seu fim em si mesma.

Porque micronações, em verdade, não são micro nações, e dificilmente serão algum dia. São, na verdade, comunidades dotadas de certos procedimentos peculiares; algumas de costumes peculiares, o que ensaiaria uma idéia de micro nação em potencial.

Isso porque nação, na verdade, envolve elementos muito mais complexos do que meramente uma micro comunidade reunida na Internet sob procedimentos próprios. Nação – ainda que microscópica – envolve também tradições próprias, um sistema jurídico próprio (resultado de suas tradições peculiares), envolve valores particulares, ainda que semelhantes a outras. E todos estes elementos devem existir de forma indubitável, ainda que de forma tímida.

Vamos ao equívoco: ele se encontra em idealizar a possibilidade de que qualquer comunidade crie ou mantenha uma identidade apenas por conta da normatização de uma intenção. Intenções não se normatizam; costumes e tradições sim. Em suma, a lei nada resolve se não está amparada em um movimento social genuíno. E isso não vale apenas para o micronacionalismo. Mas costumes e tradições, se não são alimentados por novas possibilidades, criam um ambiente nostálgico, nada afeto ao futuro e fixado no passado. O passado é a fonte de resgate histórica e cultural, mas não o tempo de realização do presente.

Chega-se ao ponto do tema: tanto as correntes modernas inominadas quanto o Socioculturalismo defendem que uma revolução cultural levantaria o véu que impede a Lusofonia de enxergar novos horizontes.

As sociedades micronacionais, como não deixaria de ser, chegaram a um ponto de colapso: os antigos mantenedores daquelas estruturas do século passado, esgotaram seu tempo e disposição. Simultaneamente, o mundo mudou, e a idéia de viver realidades alternativas não encontra mais campo fértil no micronacionalismo: a indústria dos jogos cuidou de tomar conta deste terreno.

A revolução tecnológica do micronacionalismo tem seu objetivo justamente na criação de novos espaços, novos ambientes, que abram espaço para novas lideranças e criem possibilidade de desenvolvimento de uma área de poucos adeptos hoje: a cultura.

A partir da revolução tecnológica, de novos mecanismos de interação e de novas possibilidades de realização política e intelectual, surgiriam novas lideranças, na mesma proporção que surgiam em meados dos anos de 1999 e 2000.

O novo, sem destruir o antigo, é fórmula essencial para o desenvolvimento de toda e qualquer sociedade. Se a renovação de procedimentos e mecanismos, uma sociedade não consegue acompanhar o desenvolvimento natural do mundo, e perde espaço para alternativas que consigam se inserir de forma mais convincente no futuro.

Socioculturalismo também é isso.

Artigo

O lugar da Alemanha – Fernando Henrique Cardozo.
Às portas de completar seu segundo aniversário de fundação, no próximo dia 21 de junho, a Federação dos Estados Alemães – vulgo Império Alemão – é necessário render-se à reflexão para ponderar sobre o tipo de micronacionalidade praticada pelos alemães no hemisfério lusófono. A Alemanha, que nada mais é que o último estágio de evolução do micronacionalismo germanista nascido no extinto Império de Racktidan, se apresenta enquanto uma formação cultural, histórica, política e social que converge elementos das Escolas micropatriológicas.

Uma micronação é, em poucas palavras, a construção de uma realidade a partir de determinados elementos teóricos que se agrupam em torno de referenciais básicos, tais como o cartográfico, que localiza a simulação “espacialmente” no hemisfério lingüístico; o histórico, que localiza a simulação em função da modalidade estatal que se estruturará – aqui também envolvendo os paradigmas de ciência política, filosofia, história e direito; o micropatriológico, o mais importante de todos, pois localiza a simulação em função do referencial de micronação que se pensa vivenciar à luz das Escolas reconhecidas do micronacionalismo: a virtualista, a realista – ou pasargadista – e a sócio-culturalista.

No caso alemão, por sua própria modalidade estatal, costuma-se identificar apenas o aspecto virtualista praticado, grande parte, pelos entes federados do Reich, mas permanecer em tal condição acaba por empobrecer a própria leitura da realidade da simulação, bem como confundir os próprios praticantes do real sentido oculto pela fantasia e pelo imaginário.

A confusão impede a reprodução natural da micronacionalidade, transmutado em apego e identidade, no seio da simulação e conduz, indubitavelmente, à dispersão. Portanto, eis a razão da necessidade de se repensar constantemente que formação micropatriológica se desenvolve na Alemanha. Ao se limitar a amplitude da leitura, o entendimento que se tem é débil em veracidade científica, e acaba por desprestigiar os outros fenômenos que se manifestam no interior de sua dinâmica.

Hoje, em um momento amadurecido de seu desenvolvimento histórico e de seu crescimento populacional, pensa-se no novo instante da micropatriologia da Alemanha, em que pela própria modalidade federativa, favorece a formação de elementos que possam compor uma identidade além do fetichismo da onomástica – o estudo dos nomes – germânica e dos protocolos de Estado, mas como diz a Escola sócio-culturalista, pela própria especificidade do Modus Micromundi que nasce pela dinâmica natural da micronação, e é reproduzido e aperfeiçoado pelos seus partícipes.

Expediente

Editor – Carlos Góes

Redação – Carlos Góes, Filipe Sales, Rodrigo Mariano e Fernando Henrique Cardozo.



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