A Força das Idéias

06Abr08
Há alguns anos atrás, precisamente no período entre os anos de 2002 e 2004, a Comunidade Livre de Pasárgada viveu o maior apogeu político-cultural que uma micronação até hoje alcançou. Estamos falando de atividade mensagística? Não.
Estamos falando, em verdade, de um ambiente de embates políticos extremamente complexos, sérios, por vezes tensos demais, acompanhados de uma movimentação cultural ímpar, representada por jornais, projetos educacionais, centros de exposição intelectual, wikipedia e movimentos intelectuais de suporte ao que se chamou de Pasargadismo.
Naquele tempo, o sistema partidário que havia se instalado com perfeição na comunidade, onde dois partidos políticos distintos, de idéias opostas, lutavam por cada naco de poder perante o Parlamento Comunitário e, consequentemente, sobre o Governo, além da Chancelaria da Comunidade, o projeto Pasárgada demonstrou ter chegado a passos que raríssimos outros projetos em todo o micronacionalismo mundial chegou: a criação de uma identidade própria.
 
Neste momento o Pasargadismo surge como sustentáculo material para oferecer maior incentivo a este cenário. No manifesto de fundação do Movimento Pasargadista, seus fundadores eram categóricos:
 
“Uma micronação corresponde a conjunto de pessoas que compartilham do micronacionalismo como hobby, interessadas por constituir politicamente uma comunidade coesa, de indivíduos com objetivos e ideais em comum, organizada na forma de país em miniatura. Mais do que de relações pessoais ou interesses momentâneos, o laço de Cidadania que une micronacionalistas à micronação nasce da identificação com plano superior de idéias, formado pela noção coletiva do que seja, em essência, a própria micronação.
 
O Movimento Pasargadista almeja fortalecer e promover essa noção coletiva de micronação, esses valores e características originais que, persistindo em conjunto ao longo do tempo, coordenando-se entre si de forma dinâmica, constituirão a própria alma da nacionalidade. Construir e cultivar o way of life pasárgado, de forma progressiva e bem orientada, são objetivos que norteiam o Movimento. Fomentar essa identidade é a melhor forma de identificar os cidadãos entre si permanentemente, culminando numa micronação baseada em princípios, forte, pronta para o crescimento.
 
Portanto, o Pasargadismo nada mais é que atuação permanente e engajada na construção da micronação como entidade do mundo das idéias. Para isso, temos como objetivo promover uma ordem social que garanta, de maneira duradoura, desenvolver a cultura e a identidade tipicamente Pasárgadas.
 
Em síntese, o Movimento crê que unidade e identidade nacionais sejam sinônimos, numa perspectiva de longo prazo.”
 
E foi justamente a consolidação de uma identificação comum de idéias que deu origem a um conjunto cultural coeso, que tornou Pasárgada uma sociedade de fato, e não apenas um agrupamento de pessoas reunidas em torno de uma brincadeira.
 
As idéias, neste ponto, tomaram o papel fundamental que, alguns anos depois, dois reuniãos exporiam como essenciais dentro da Escola micropatriológica chamada de Socioculturalismo, em que o micronacionalismo é apresentado também de uma forma utilitarista, na medida em que a construção de uma identidade cultural que torne esses projetos verdadeiras micro-sociedades é elemento tão fundamental para caracterização de uma micronação quanto a própria reunião das pessoas para se divertirem nisso.
 
O Pasargadismo gira em torno de dois pontos fundamentais para o micronacionalismo: a valorização de idéias ímpares e tipicas de uma sociedade como símbolo desta própria comunidade, enquanto fator diferencial que a caracteriza como típica. E ao mesmo tempo, oferece a prova de que as idéias, quanto consolidadas e fomentadas intensivamente, são mais essenciais do que a idéia imatura de que a mensagem é o ponto crucial da atividade micronacional.
 
Em verdade, os anos de 2002-2004, em Pasárgada, foram áureos não porque haviam muitas mensagens. Porque além de mensagens, havia construção, realização, elaboração, teorização, exposição e multiplicação. E estes fatores todos foram gerados a partir de um ambiente maduro, em que a mensagem era portadora da edificação de algo concreto, e não o fim em si.
 
Aquele foi um momento único na história do micronacionalismo lusófono porque, salvo raríssimas outras vezes em outros cantos do nosso grupo linguístico, a concentração de realizações se alastrou em tão larga proporção que a mensagem a acompanhava naturalmente; não era uma “falação artificial”.
 
A lusofonia precisa disso: de pasargadismos em todos os projetos que surjam ou já existam com maturidade suficiente. Cabe dizer que não basta, todavia, colocar o sufixo “ismo” ao final de um adjetivo pátrio para caracterizar um movimento cultural de identificação social único. É preciso, antes de tudo, que ele possua construção histórica, que seja real, e aponte toda uma comunidade ao alvorecer do crescimento coletivo e individual.
 
As idéias são o trunfo do micronacionalismo. E é de seu desenvolvimento, fortalecimento e fomento que vem todo o restante.
Filipe Sales, reunião, é micronacionalista desde fevereiro de 2001.


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