O Socioculturalista #15

14Jan09

Editorial

Início do revisionismo histórico.
Conforme anunciado na última edição, tem início no presente panfleto uma recapitulação histórica sobre a emergência do socioculturalismo e a falência do polemicismo reunião. O SOCIOCULTURALISTA crê ser essencial o resgate dos fatos passados no micronacionalismo lusófono, pois a consciência de um passado comum também reforça os laços imaginados de identidade [micro-]nacional.
De modo algum O SOCIOCULTURALISTA reclama para si o monopólio da verdade. Ao contrário, como explícito desde o primeiro panfleto, este periódico não esconde por detrás de uma suposta “imparcialidade jornalística” e também por isso não chama a si mesmo de jornal. Dispomos aqui uma visão dos fatos, que pode ser contraposta a outras versões.
Uma sociedade aberta, nos termos prescritos por Karl Popper, precisa de multiplicidade. De tal sorte, O SOCIOCULTURALISTA entende estar, por meio desta iniciativa, contribuindo com a construção de sociedades [micro-]nacionais abertas. Ao leitor cabe ver as versões disponíveis e chegar, ele mesmo, a uma conclusão satisfatória.
Este primeiro capítulo foca-se na contextualização da época, traçando a divisão moral-filosófica presente na sociedade reuniã de então e o início da emergência de Maurício. O Vice Reino se tornaria o refúgio de alguns, cansados do modo como Gerson França comandava as coisas desde Saint-Denis.
Leia. Critique. Elogie. Conteste. Aproveite.

Pensamento Socioculturalista

1. A contextualização da mudança.
As construções intelectuais não se dissociam dos fatos sociais. Existe, ao contrário, um ciclo que se retroalimenta entre os dois universos. Elementos da realidade alimentam os arquétipos teóricos e estes, por sua vez, almejam modificar a realidade. 

Dois processos ajudaram a alimentar a busca por uma alternativa ao modelismo polemicista de Reunião, que culminaria no delineamento do que hoje denominamos de socioculturalismo. Primeiramente, se delineou uma clara divisão em Reunião entre aqueles que apoiavam táticas escusas de micronacionalismo – pois julgavam ser a prática micronacional distinta da vida – e os que buscavam algo novo. Afora isso, foram marcantes as mudanças ocorridas no Vice-Reino de Maurício a partir da assunção de Rodrigo Mariano ao cetro.

Este primeiro capítulo da recapitulação histórica foca-se na divisão principiológica de dois grandes grupos em Reunião e o início da emergência mauritana. Ainda que se tenha consciência de ser uma visão singular a do relato escrito por um partícipe, como é o presente, tentar-se-á alcançar uma escrita que dê ao leitor oportunidade de interpretação pessoal.

a. Os dois micronacionalismos de Reunião

Ao fim de 2006, haveria uma clara divisão entre abordagens ao micronacionalismo que diversos reuniãos davam à prática. Uma série de fatos seria fundamental para expor os intestinos de tal divisão: as ações de uma organização microterrorista denominada “Honra Imperial”.

A “Honra Imperial”, hoje extinta, consistia em um grupo de indivíduos que, utilizando dos estandartes imperiais de Reunião – embora sem respaldo oficial – perpetrava ataques eletrônicos, como mail bombing, tentativa de roubo de listas e similares. Os dois casos mais famosos foram os ataques a Jorge Quinta-Nova, então premier do Reino Unido de Portugal e Algarves, e, posteriormente, à lista da República de Porto Claro.

Quando da época dos primeiros ataques, no ínicio de 2006, apesar da rejeição quase unívoca aos mesmos, havia divergências quanto ao modo de se abordar a referida organização. Bruno Cava, por exemplo, entendia que uma resposta oficial somente alimentaria o ânimo dos perpetradores. Filipe Oliveira, por outra parte, exigia o repúdio imediato aos ataques. Não obstante, as diferenças eram pouco substanciais então.

Algo distinto do que ocorreria no fim do ano, quando Carlos Fraga, diretor do Serviço Secreto Imperial (Quaex), tomaria a decisão de incorporar os integrantes da Honra Imperial ao corpo oficial. Naquele momento, delinear-se-ia uma divisão sensível.

De um lado, Carlos Fraga, Flávio Wernik, Gerson França, Flávio Miranda e Brunno Barbosa eram os principais defensores a incorporação. A justificação moral baseava-se no descolamento do micronacionalismo da realidade. Flávio Miranda chegou a afirmar que “no micronacionalismo não interessa o que Hitler fez ou não”, ao pregar a total separação entre o micronacionalismo e a realidade.

Houve uma eloquente resposta de todos os campos da sociedade, que julgavam ser inaceitável a incorporação de um grupo terrorista ao aparelho de Estado. Rodrigo Rocha, então Chanceler Imperial, emitiu nota de discordância em relação a posição da Quaex. O mesmo faria Valadir Aerwyld, presidente da Assembléia Popular de Qualícatos. Eduardo Lagrenge e Carlos Góes proporiam, respectivamente no Egrégio Conselho Imperial de Estado e na Assembléia Popular de Qualícatos, moções de repúdio à incorporação que seriam aprovadas. Filipe Sales e Rodrigo Mariano comandariam um repúdio do Vice-Reino de Maurício à Honra Imperial.

Muito embora fosse maior o grupo que rejeitava o micronacionalismo do terror, aqueles que o apoiavam orbitavam em volta do Gabinete do Lorde Protetor, o que, naturalmente, lhes garantia muito poder. O próprio Gerson França era o Lorde Protetor e agia de todos os modos possíveis para defender seu grupo. Ademais, o Imperador Cláudio de Castro não tinha presença constante no Sacro Império, fato que reforçava, ainda mais, o poder de Gerson França.

Eventualmente, Carlos Fraga reconheceria que cometeu um erro ao patrocinar a incorporação da Honra Imperial à Quaex. Entretanto, a divergência entre o polemicismo modelista tradicional, que aceita qualquer tipo de conduta por uma atividade mensagística, e os que focam-se na identidade entre realidade social e micronacionalismo já estava escrita.

b. O renascimento de Maurício

No mesmo ano de 2006, seria pavimentado o lócus para o surgimento do socioculturalismo. Rodrigo Mariano assumia o Cetro Real Mauritano inaugurando uma era de atividade produtiva em Maurício. Criara uma Academia de Heráldica, uma Biblioteca Real e instituira o sistema feudal no Vice-Reino, entre outras iniciativas.

Somando-se o ambiente positivo no nível vicerreal à dominância do grupo polemicista na política imperial, houve grandes incentivos a uma investida ainda maior na atividade regional, de modo a produzir um ambiente maduro e que promovesse a evolução pessoal. Nesse sentido, ocorreu um resgate da cultura local, de origem anglófona, incorporando-se a esta elementos do realismo pasárgado.

Entretanto, é importante ressaltar que a prática micronacional mauritana de então ainda se caracterizava como um modelismo tipicamente reunião, ainda que salpicado com elementos realistas. Entre os principais micronacionalistas que tinham em Maurício seu foco principal de atividade estavam: Rodrigo Mariano, Eduardo Lagrenge, Carlos Góes, Bruno Sogdu e Filipe Sales.

Este cenário pavimentaria a estrada para a emergência do nacionalismo mauritano, justificado em termos teóricos e práticos. Ademais, pouco tempo depois iniciar-se-ia a Inquisição contra os mauritanos, motivada essencialmente por um desgosto do grupo polemicista contra a elevada atividade regional mauritana. 

Expediente

Editor – Carlos Góes

Redação – Carlos Góes, Filipe Sales, Rodrigo Mariano e Fernando Henrique Cardozo.



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